IA

A Morte do Pensamento

O Perigo da Dependência Cega da IA
Postado em: 14/09/2025 Por Carlos Salles
A Morte do Pensamento

A Inteligência Artificial deixou de ser novidade para se tornar rotina. Ela está em ferramentas de produtividade, na forma como consumimos conteúdo e até no processo criativo. Porém, esse avanço vem acompanhado de um risco silencioso: a morte do pensamento crítico.

"Lá vem mais um mensageiro do apocalipse dizendo que a IA é um mal terrível que vai nos levar todos a danação e que nunca mais devemos usa-la."

Não! Minha critica não é a IA, mas você entenderá no decorrer do texto.

Primeiros Contatos

Recentemente tenho trabalhado em um projeto com vários desenvolvedores entusiastas da IA e aprendi muito com eles sobre o uso da IA pra melhorar a produtividade.

Desde o hype do Cursor até os MCPs e Agentes, vi de perto os prós e contras de cada uma dessas eras, que hoje em dia passam muito rápido.

Porém, uma situação foi se tornando mais recorrente e preocupante, desenvolvedores tem entregue cada vez mais códigos problemáticos nos reviews e geralmente são problemas que tenho certeza que eles não teriam cometido se tivessem feito o código manualmente - o que só facilita saber que não foram eles que escreveram.

Estou dizendo que devemos todos fazer o código manualmente? NÃO! Esse tema gera muita paixão em seus entusiastas e tenho que deixar claro que não sou contra seu uso pra evitar burburinho desnecessário, eu utilizo, mas com responsabilidade.

Seja Responsável!

Esse é o problema que venho trazer aqui, é a falta de responsabilidade com o código que você está entregando, é o excesso de confiança de que a inteligência artificial vai gerar um código muito melhor do que você seria capaz sem ela.

Eu sou um daqueles desenvolvedores que acredita que o livro Clean Code do Robert C. Martin é um ótimo guia de como um desenvolvedor deveria pensar, não vou trazer citações exatas, mas a reflexão geral do livro agrega muito a essa discussão:

Nós devemos, como desenvolvedores, ter responsabilidade com o código que entregamos!

O seu trabalho é zelar pela qualidade do código! Aqueles que tomam decisões na empresa, dependendo da área, não possuem o expertise que você tem para avaliar a importância da qualidade do código e eles pagam seu salário para que você deixe claro o impacto de suas decisões.

A decisão final é deles e você deve acata-la, mas o seu trabalho é deixar claro os impactos de cada decisão!

Trate-a como um Desenvolvedor Júnior!

Tendo isso posto, você deve tratar a inteligência artificial como um desenvolvedor júnior, ou seja, você não vai deixar de contratar desenvolvedores júnior por entregarem códigos ruins, você vai supervisiona-los para que suas entregas estejam dentro dos padrões aceitáveis.

E não adianta só estudar engenharia de prompt, pegar alguns prontos na internet, encadear agentes ou até mesmo recorrer a ferramentas de analise estática de código, desenvolver é muito mais do que isso.

Você precisa ler o código, entender o código, avaliar se faz sentido semântico, se está fácil de ler, se naquele momento vale a pena abrir mão da legibilidade em prol da performance. E essas são coisas que as inteligências artificiais ainda não são capazes de fazer de maneira confiável e sem prompts complexos e cascatas de agentes, já você, faz naturalmente!

Então antes de enviar um código para review, lembre-se de que para quem avalia, você escreveu aquele código! E se ele está ruim, a culpa é toda sua!

Comentários do Autor

Aqui trago uma opinião polêmica - que não deveria ser - e que já presenciei discussões acaloradas a respeito.

Não sou contra de nenhuma maneira ao uso da IA, tenho minha licença do Copilot e o uso diariamente, a questão aqui era mesmo apontar a irresponsabilidade no uso.

E depois da constante exposição a vários códigos absurdos gerados por IA em reviews e pior ainda ter que arrumar os foram aprovados na pressa de seus revisores em ver o card concluído no Jira, acabei desenvolvendo um ranço todo especial com o Cursor.

Alguém compartilha tela comigo e abre o Cursor, meu estomago já revira. Nem todo usuário do Cursor faz isso, mas todos que fazem usam o Cursor.

É quase um estresse pós-traumático, já que todas as sprints infernais que tive nos últimos tempos foram precedidas de alguém compartilhando tela com o Cursor aberto e cuspindo código sem nenhuma responsabilidade.

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