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Particulas - 2 de Junho de 2026

Postado em: 02/06/2026 Por Carlos Salles
Particulas - 2 de Junho de 2026

Há quanto tempo em!

Muitas coisas mudaram de novembro pra cá, estou tocando diversos projetos novos.

Vou trazer aqui algumas das coisas que venho vendo nos últimos tempos.

Maio foi um mês de consolidar algumas frentes que vinham aparecendo separadas: IA como ferramenta de trabalho, notas como base de conhecimento, governança técnica na era da IA, criação e manutenção de comunidades, apresentações e workshops, liderança técnica e alguns experimentos menores de hardware.

Não foi um mês de uma única grande entrega. Foi mais um mês de conexões. Várias coisas pareciam apontar para a mesma pergunta: como transformar conhecimento solto em sistema, prática e cultura?


Meu novo contato com a IA

Uma das coisas que sempre reclamei do Vibe Coding e até em outros posts aqui é o uso irresponsável e algo a mais me "cheirava" errado.

Hoje consigo apontar melhor o problema e era a falta de engenharia e contenção. É ai que entrou o Harness Engineering. Eu já tinha tido alguns insights parecidos, mas nunca algo tão bem concretizado com esse conceito.

Foi conhecendo ele que comecei a gostar do tema de IA. E tudo isso veio graças a um workshop de 3h que me convidaram para liderar na Cogna através da Soluevo.

Comecei a estudar a fundo, montar o material e hoje acredito que estamos chegando em um bom ponto, bem distante do que eu via lá em novembro de 2025.


IA deixou de ser só prompt e virou contexto

O prompt continua importando, mas cada vez menos como truque isolado. O que parece importar mais agora é o conjunto inteiro: contexto recuperado, memória, ferramentas, RAG, avaliações, regras, estado da execução e forma como tudo isso chega para o modelo.

Hoje o ouro está nos Harness.


Governança de IA como prática viva

Outro tema forte forte esse mês foi pensar em como uma organização pode adotar IA sem transformar tudo em um conjunto disperso de prompts, regras e experimentos locais.

A percepção central foi que a adoção de IA em um ambiente grande tende a fragmentar rápido: cada time cria seus próprios fluxos, suas próprias instruções e seus próprios atalhos. Isso gera velocidade local, mas também perda de alinhamento.

A direção que me interessou foi tratar governança de IA como algo vivo:

  • regras compartilhadas;
  • habilidades reutilizáveis;
  • integrações com ferramentas do dia a dia;
  • padrões técnicos aplicados no momento do desenvolvimento;
  • documentação que ajuda a IA a agir melhor;
  • separação entre diretrizes gerais e necessidades específicas de cada contexto.

O ponto mais interessante não é apenas configurar uma IA. É criar uma forma de distribuir boas práticas automaticamente para várias pessoas, times e contextos.

Também apareceu uma preocupação importante: IA não deve substituir ferramentas determinísticas. Ela pode acelerar muita coisa, mas nem todo problema deve ser resolvido com agente.


Apresentações, estudo e liderança em IA

Uma das coisas mais marcantes nesse mês foi ter preparado e apresentado o workshop sobre desenvolvimento com IA e spec driven development.

O processo exigiu bastante estudo. O conteúdo cresceu tanto que ficou difícil encaixar tudo no tempo disponível, o que é um bom sinal: havia mais coisa útil para dizer do que espaço para dizer.

A apresentação funcionou bem e acabou abrindo portas para uma segunda apresentação com um público maior. Mais do que uma palestra isolada, isso virou um ponto de virada: passei a me envolver mais diretamente com iniciativas de IA, governança e melhoria de práticas de desenvolvimento.

Também assumi uma posição de liderança técnica em uma frente relacionada a IA no ciclo de desenvolvimento de software. Esse é um sinal interessante de mudança de papel: além de usar IA para produzir melhor, começa a surgir a responsabilidade de ajudar outras pessoas a usarem melhor também.

O ponto que quero guardar é esse: ensinar força a organizar pensamento. Quando precisamos explicar uma prática para outras pessoas, aquilo deixa de ser só repertório individual e começa a virar método.


Trabalho: padrões, observabilidade e clareza de contratos

O mês também teve bastante foco em análise, correção de comportamento e melhoria de previsibilidade em sistemas existentes.

Um ponto recorrente foi perceber como detalhes pequenos de estado, retorno e contrato entre camadas podem gerar comportamentos difíceis de diagnosticar. Às vezes o problema não está em uma regra grande, mas em uma resposta ambígua, em um estado mal definido ou em um caso antigo que não foi modelado com clareza.

Também apareceu uma frente de observabilidade: registrar melhor o que acontece, documentar pontos de extensão e pensar em formas de deixar os sistemas mais fáceis de entender quando algo sai do esperado.

Esse tipo de trabalho reforça uma ideia recorrente: muito bug de produto nasce menos de código quebrado e mais de estados mal nomeados, contratos frouxos e respostas ambíguas.

Na segunda metade do mês entrou outra linha importante: transformar padrões técnicos em conhecimento reutilizável.

As tarefas envolveram, em linhas gerais:

  • analisar padrões existentes;
  • documentar funcionamento e pontos de extensão;
  • definir onde faz sentido observar eventos;
  • pensar em persistência e rastreabilidade;
  • aproximar observabilidade, documentação e IA.

E apareceu também uma conexão com a ideia de criar diretrizes reutilizáveis: transformar aprendizados técnicos em instruções que a IA possa aplicar durante o desenvolvimento, sem depender só da memória individual de quem está trabalhando.


Fundação de um clube local de tecnologia

Outra coisa importante do mês foi a fundação de um clube local de tecnologia em São José dos Campos, o SJC Hacker Clube

Esse tipo de iniciativa conversa com uma vontade antiga: criar um espaço presencial de troca, estudo e construção coletiva. Não apenas um grupo para compartilhar links ou pedir ajuda pontual, mas um ambiente onde pessoas possam aprender juntas, errar, ensinar, conversar e construir confiança.

O mais interessante é que isso conecta tecnologia com território. Em vez de pensar comunidade só como algo abstrato ou online, aparece a possibilidade de criar presença local, rotina, encontros e pertencimento.

A iniciativa começou com o William e eu entrei em seguida, conversamos bastante, vimos que as ideias batiam e tudo foi acontecendo.

A ideia é criarmos uma comunidade de tecnologia local que seja convidativa, receptiva e inventiva!


Arquitetura de Comunidades

O tema das comunidades locais apareceu no início desse mês nas minhas notas e depois ganhou corpo em notas que fiz sobre cultura, pertencimento, moderação e comunhão.

O ponto central ficou bem claro, uma comunidade de tecnologia não deve ser apenas um lugar para aprender ferramentas. A ambição é criar um espaço de confiança, troca, estudo, construção coletiva e cuidado com a cultura.

Aprendemos também que valores abstratos precisam virar critério prático.

  • quais limites são inegociáveis;
  • como comunicar decisões;
  • como proteger o ambiente sem transformar tudo em briga;
  • como acolher diferenças sem normalizar violência;
  • como evitar que o grupo vire militância constante, peso e ansiedade.

Esse foi talvez o aprendizado mais humano do mês: comunidade também tem arquitetura. Se a cultura não é desenhada, ela emerge de qualquer jeito.


Hardware, imagem e pequenas explorações

Também houve uma camada mais experimental no mês.

Criei um cyberdeckzinho bem simples só pra me exibir algumas informações, mas ficou bem legal, trarei mais dele aqui em outros posts.

Além disso comprei alguns esp32, mas estou sem sorte:

  • 1 veio com problemas no carregamento, esquentando demais.
  • 1 veio com problemas de leitura, não era reconhecido pelo computador
  • 1 de outro lugar tambem veio com problemas de leitura.

Tentei 2 computadores, varias usbs diferentes, 3 cabos que eu tinha e 1 novo que comprei, 2 S.Os diferentes, varios softwares diferentes e nada.


Mentoria

Esse mês também comecei a dar uma mentoria na Soluevo.


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